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Como vender seguro viagem pelo Instagram

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No Instagram, o seguro viagem vende quando o perfil explica antes de oferecer. O conteúdo responde a dúvidas reais de quem viaja, a oferta aparece identificada como publicidade e com os dados que a norma de seguro pede, e a conversa vai para o direct ou para o WhatsApp, onde sai a cotação de cada cliente. O post não fecha a venda sozinho: ele traz o cliente certo para a conversa certa. E, como peça publicitária de seguro, ele segue regras do Código de Defesa do Consumidor e da SUSEP que valem para qualquer rede.

O que a lei pede de um post sobre seguro

Post que oferece seguro é publicidade, e o Código de Defesa do Consumidor tem quatro regras que pesam aqui:

  • Vincula. Toda informação ou publicidade suficientemente precisa, veiculada por qualquer meio, obriga o fornecedor e integra o contrato que vier a ser celebrado (art. 30). Se o story diz que algo está coberto, o cliente pode cobrar.
  • Tem de ser clara. A oferta deve assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em português sobre as características do produto (art. 31).
  • Tem de aparecer como publicidade. A publicidade deve ser veiculada de modo que o consumidor a identifique como tal, fácil e imediatamente (art. 36).
  • Não pode enganar nem explorar o medo. É enganosa a publicidade capaz de induzir o consumidor a erro, mesmo por omissão, e é abusiva, entre outras, a que "explore o medo ou a superstição" (art. 37).

As normas de seguro acrescentam o que é próprio do produto:

  • A Circular SUSEP nº 667/2022 diz que as peças promocionais e de publicidade devem ser divulgadas sob supervisão da seguradora, respeitando as condições contratuais (art. 7º), e que todo material de comercialização e publicidade deve informar que "o registro do produto é automático e não representa aprovação ou recomendação por parte da Susep" (art. 10, § 2º).
  • A Circular SUSEP nº 708/2024 manda incluir o número do processo SUSEP do produto em todo material informativo e de comercialização e nas peças promocionais (art. 15).
  • Se você vende como representante de seguros, a Resolução CNSP nº 431/2021 proíbe fazer publicidade de produto de seguro sem prévia anuência da seguradora (art. 17, II) e exige, na oferta feita por qualquer meio, que você se identifique como prestador de serviços da seguradora e identifique a seguradora, com os canais de atendimento dela (art. 12).

Em resumo: antes de publicar sobre um plano específico, peça o aval da seguradora e leve para a peça o nome dela, o número do processo do produto e a frase do registro automático. No conteúdo educativo, que explica regra de destino ou como ler um bilhete, vale o mesmo cuidado com a precisão.

Passo a passo para vender pelo Instagram

  1. Arrume a bio e os destaques. Diga quem você é e o que vende, com um link direto para o WhatsApp de atendimento. Nos destaques, deixe as dúvidas que mais aparecem: exigência de seguro por destino, o que fazer antes do embarque, como funciona a cotação.
  2. Publique o que o viajante pergunta. Regras escritas rendem bom conteúdo. Um exemplo: o Código de Vistos da União Europeia exige de quem pede visto Schengen um seguro médico de viagem com cobertura mínima de 30 mil euros (art. 15), e o brasileiro, em estadas de até 90 dias num período de 180, está isento desse visto pelo Regulamento (UE) 2018/1806. Explicar a diferença entre exigência e recomendação ajuda o seguidor e mostra que você conhece o assunto.
  3. Use os stories para ouvir. Caixa de perguntas e enquete sobre o próximo destino mostram quem está viajando em breve. Responda em público o que serve para todos e chame no privado quem pediu cotação.
  4. Faça a oferta com os dados certos. No post ou story que fala de um plano: o nome da seguradora, o número do processo SUSEP, a frase do registro automático e um convite para a cotação. Nada de "cobre tudo": diga o que o plano cobre e mande as condições gerais na conversa.
  5. Leve a conversa para o WhatsApp. O direct serve para o primeiro contato. Para cotar, mandar condições e emitir, o WhatsApp deixa o registro organizado, desde que o cliente aceite receber mensagens por lá. O passo a passo está em como vender seguro viagem pelo WhatsApp.
  6. Se for impulsionar, siga a regra de anúncio. Nos padrões de publicidade da Meta, anúncios que promovem serviços de seguros devem ser direcionados a pessoas com 18 anos ou mais, e anúncios dessa categoria não podem pedir diretamente informações pessoais identificáveis nem certos dados financeiros.
  7. Parceria com criador de conteúdo tem regra própria. Post pago tem de aparecer como publicidade (CDC, art. 36), e quem divulga um produto de seguro precisa saber em que condição faz isso. O tema está em influenciador pode vender seguro viagem?.

O que não postar

  • Medo como argumento. História de tragédia para vender seguro é o tipo de peça que o CDC chama de abusiva quando explora o medo. Fato do destino e do contrato informa sem esse risco.
  • Superlativo sem prova. "Melhor seguro", "mais barato" e "cobre tudo" são afirmações que você teria de sustentar. "Cobre tudo" esbarra no próprio produto: no seguro viagem, a indenização vale para os riscos cobertos e é limitada ao capital segurado contratado (Circular SUSEP nº 667/2022, art. 87).
  • Benefício como se fosse cobertura. Se o plano traz benefícios comerciais, como sala VIP ou chip de internet, deixe claro no post o que é cobertura do seguro e o que é benefício do plano, com a regra de quem tem direito.
  • Print de cotação de outro cliente. Pela LGPD, dado pessoal é qualquer informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável (art. 5º, I), e uma cotação traz nome, idade, destino e datas. Para mostrar como é uma cotação, monte um exemplo fictício e diga que é exemplo.
  • Pedido de dados no comentário. CPF, data de nascimento e documento vão pelo canal privado e pelo formulário da seguradora, nunca em comentário público.

Como medir se está funcionando

O número que importa não é curtida, é conversa aberta e cotação enviada. Marque no seu controle de onde veio cada cliente que pediu cotação, se do post, do story, da bio ou do anúncio, e compare a cada mês. Conteúdo que gera pergunta boa merece virar destaque fixo.

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